Setembro chega e, junto com ele, as primeiras caixas de panettone aparecem nas prateleiras do supermercado. Ainda falta muito para a ceia, mas a origem do panettone tem tudo a ver com essa antecipação: essa massa alta, macia e perfumada nasceu de um improviso de cozinha em Milão e levou séculos para se tornar o símbolo de Natal que você conhece hoje.
Aqui você vai acompanhar a história do panettone da Itália até a mesa brasileira, entender a diferença entre panettone e chocotone e ver como servir e conservar o seu sem perder a maciez.
A lenda do “pão do Toni”: onde nasceu o panettone
Para chegar ao começo dessa história, é preciso voltar a Milão, no norte da Itália, no fim do século 15. A cidade era governada por Ludovico Sforza, o duque conhecido como “Il Moro”, e a lenda mais contada até hoje nasceu na cozinha do palácio.
Na véspera do Natal, um ajudante de cozinha chamado Toni trabalhava havia horas e ainda precisava dar conta da sobremesa do duque. Exausto, ele se confundiu no preparo e viu a receita original ir por água abaixo. Sem tempo para começar de novo, improvisou: pegou a massa de pão que tinha à mão e acrescentou uvas-passas, frutas cristalizadas, manteiga e ovos.
O resultado foi assado às pressas e servido com pouca esperança. Deu tão certo que o duque quis saber quem havia preparado aquilo. A “torta de pão” do ajudante ficou conhecida como “pan de Toni”, o pão do Toni, e é dessa expressão que muitos atribuem o nome que atravessou séculos.
Historiadores da alimentação situam a criação do doce em Milão no século 15, mas há uma explicação mais simples para o nome. No dialeto milanês, “panattón” é o aumentativo de “pan”, pão. Ou seja: pão grande. As duas versões convivem, e a lenda do Toni é a que ficou na memória afetiva das famílias.
Panetone ou panettone? De onde vem cada grafia
Você provavelmente já viu escrito das duas formas. “Panettone”, com dois t, é a grafia italiana original, e é ela que aparece na embalagem. “Panetone”, com um t só, é a forma que se popularizou no português brasileiro no dia a dia. As duas falam do mesmo produto, e a escolha entre uma e outra é questão de costume.
O decreto que define o que pode se chamar panettone na Itália
Com a fama vieram as cópias, e em 2005 a Itália decidiu colocar a receita no papel. Um decreto do Ministério das Atividades Produtivas, assinado em 22 de julho daquele ano e em vigor desde janeiro de 2006, reservou a palavra “panettone” a um produto bem específico: massa mole de fermentação natural, base redonda, crosta superior cortada de forma característica e miolo macio de alvéolos alongados.
O texto também fixou mínimos de ingredientes. A massa precisa ter pelo menos 4% de gema, 16% de matéria gorda de manteiga e 20% de uvas-passas e cascas de cítricos cristalizadas. O que fica fora da norma pode ser vendido na Itália, mas não com esse nome: vira “dolce di Natale”, doce de Natal.
Essa regra vale para o mercado italiano. No Brasil, o panettone seguiu caminho próprio, e é aí que a história fica interessante.
Como o panettone chegou ao Brasil
O panettone desembarcou aqui junto com a imigração italiana, entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20. Por muito tempo ele foi receita de família, feita em casa ou encomendada na padaria do bairro, especialmente em São Paulo, onde as comunidades italianas se concentraram.
A virada veio na segunda metade do século 20, quando padarias e fábricas fundadas por famílias de imigrantes começaram a produzir em escala. O panettone saiu da cozinha e foi para a prateleira, embalado, com data de validade e preço na etiqueta. Foi assim que ele se tornou acessível a todo o país.
E por que dezembro? Não existe nenhuma ligação religiosa entre o panettone e o Natal. O que existe é uma tradição construída: o doce chegou associado ao calendário de festas italiano e, no Brasil, encontrou dois hábitos muito nossos. O de reunir a família em volta da mesa no fim do ano e o de presentear. É por isso que ele aparece tanto na ceia quanto na cesta de Natal.
O costume pegou de um jeito que os números mostram bem. Segundo pesquisa da Worldpanel by Numerator encomendada pela ABIMAPI, o panettone está presente em 62,9% dos lares brasileiros, e a categoria movimentou R$ 1,36 bilhão entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
Por que o panettone já está na prateleira em setembro
Quem estranha ver panettone antes da primavera terminar costuma achar que é pressa do supermercado. Não é. Setembro é tradicionalmente o mês de produção e distribuição do produto no Brasil, segundo a ABIMAPI.
A explicação é de logística. Abastecer supermercados de todo o país com um produto de temporada exige que a fabricação comece meses antes do pico de consumo. Se a produção esperasse em dezembro, boa parte das lojas ficaria sem estoque justamente na semana do Natal.
Há também uma mudança de hábito. O panettone deixou de ser exclusividade da ceia e passou a aparecer no café da manhã, no lanche da tarde e na sobremesa de qualquer dia. Com mais ocasiões de consumo, a temporada esticou nas duas pontas, e as primeiras caixas passaram a chegar às gôndolas já no segundo semestre.
Na própria Itália esse movimento tem nome. O jornalista Davide Paolini, conhecido como “o gastronauta”, criou o projeto “Panettone tutto l’anno”, ou panettone o ano todo, convidando confeiteiros a produzirem o doce fora da temporada de Natal. A ideia pegou, e hoje o panettone aparece nas mesas italianas até no auge do verão.
Os três panettones Casaredo
O panettone chega pronto para a mesa em três versões de 400 g, cada uma com um perfil diferente:
Panettone com frutas cristalizadas 400g:
O clássico, com uvas-passas e frutas cristalizadas na massa. É o mais próximo da receita que nasceu em Milão e o preferido de quem gosta do sabor tradicional de Natal.

No lugar das frutas, gotas sabor chocolate distribuídas na massa. Costuma ser a escolha das crianças e de quem não tem tanta simpatia com frutas cristalizadas.

A versão mais intensa. Reúne gotas sabor chocolate e recheio sabor chocolate meio amargo, com textura cremosa a cada fatia.

Cada embalagem de 400 g rende cinco fatias de 80 g. Você encontra a linha completa na página de + Delícias Casaredo.
Como servir o panettone
O panettone não precisa ser desmontado para brilhar. Ele já chega pronto, e alguns cuidados simples fazem diferença no sabor.
Comece pelo corte. A fatia ideal tem cerca de 2 cm de espessura, o equivalente às cinco porções de 80 g que a embalagem de 400 g rende. Corte em gomos verticais, partindo do centro para a borda, como se fosse uma torta: assim a massa mantém a altura e o miolo não esfarela.
Depois, a temperatura. Em temperatura ambiente, o aroma da fermentação aparece melhor. Levemente aquecido, o panettone ganha maciez, e nas versões com chocolate as gotas amaciam e liberam mais sabor. Bastam dois a três minutos em forno pré-aquecido. Evite servir gelado direto da geladeira, porque o frio deixa a massa seca e sem perfume.
Por último, o que acompanha. O clássico de frutas cristalizadas combina com café fresco, cappuccino ou leite quente e vai bem com frutas da estação. O de chocolate pede uma bola de sorvete ou uma colher de doce de leite. O trufado é praticamente uma sobremesa por conta própria e harmoniza com espumante ou café espresso.
Se você quiser ideias de momentos para servir cada sabor ao longo do dia, o artigo Panettone no café da manhã, lanche ou sobremesa traz três combinações prontas.
Como conservar o panettone
Panettone é um produto de massa macia e úmida, e é justamente isso que ele perde primeiro quando fica mal guardado. Alguns cuidados resolvem.
Com a embalagem fechada, guarde em local fresco e secol, longe do calor do forno e do fogão. A validade vem impressa na embalagem, e até essa data o produto se mantém macio sem precisar de geladeira.
Depois de aberto, o inimigo é o ar. Feche bem o saco plástico interno, prendendo a sobra com um nó ou um clipe, ou transfira as fatias para um pote hermético. Assim o panettone se mantém gostoso por cerca de três a quatro dias. Evite a geladeira: o frio acelera o ressecamento da massa em vez de conservá-la.
E se ele já secou um pouco? Leve as fatias ao forno pré-aquecido a 180 °C por dois a três minutos. A massa volta a ficar macia e o aroma reaparece. No micro-ondas, poucos segundos já resolvem, mas vá com calma, porque o excesso endurece a fatia ao esfriar.

Perguntas frequentes sobre panettone
Qual a diferença entre panettone e chocotone?
A massa é a mesma. A diferença está no que vai dentro: no panettone tradicional, uvas-passas e frutas cristalizadas; na versão com chocolate, gotas de chocolate no lugar das frutas. Essa versão é uma adaptação brasileira, criada para agradar quem não gosta das frutas cristalizadas, e “chocotone” é o apelido que se popularizou por aqui. Como o nome é marca registrada de um fabricante, os outros chamam o produto de panettone de chocolate.
Por que já tem panettone em outubro?
Porque a produção e a distribuição começam antes. Setembro é tradicionalmente o mês de produção e distribuição do panettone no Brasil, e abastecer todo o país leva semanas. Somado a isso, o consumo deixou de se concentrar apenas na ceia, o que alongou a temporada nas duas pontas.
Qual a diferença entre os três sabores de panettone da Casaredo?
O de frutas cristalizadas é o tradicional, com uvas-passas e frutas na massa. O de chocolate troca as frutas por gotas sabor chocolate. O trufado é o mais intenso dos três, porque reúne as gotas e um recheio sabor chocolate meio amargo. Todos têm 400 g e rendem cinco fatias.
Quanto tempo o panettone dura depois de aberto?
Cerca de três a quatro dias, desde que você feche bem a embalagem interna ou guarde as fatias em pote hermético, em local fresco e seco. Com a embalagem fechada, vale a validade impressa na caixa.
Uma história que continua na sua mesa
De um improviso na cozinha de um palácio em Milão a um clássico das festas brasileiras, o panettone atravessou séculos sem perder o essencial: ele é feito para ser partido e dividido. Talvez seja essa a razão de ele combinar tão bem com dezembro.
Quando o seu chegar em casa, você já sabe como cortar, como servir e como guardar. E se quiser ir além da ceia, veja também as 3 ideias de cestas de Natal com panettones Casaredo.
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